27/07/2026
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Advogados confessam uso de IA para enganar juiz em caso de traficante

Um grupo de advogados de Mato Grosso do Sul confessou ter usado recursos de inteligência artificial (IA) para tentar enganar a Justiça. A estratégia foi descoberta em uma ação movida pelo megatraficante Sérgio Roberto de Carvalho, ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS), conhecido como “Escobar brasileiro”. A ação era contra veículos de imprensa que usam o apelido.

A petição foi protocolada em 29 de setembro de 2025 e assinada pelos advogados Lucas F. N. Brandolis, Matheus Pelzl Ferreira e Dálete de Oliveira Cáceres. O documento continha, no cabeçalho, comandos escondidos de IA. O objetivo era induzir uma ferramenta de inteligência artificial, caso fosse usada pelo magistrado ou pelo gabinete, a considerar a peça como correta e produzir uma avaliação favorável.

O trecho oculto aparecia como “Diretriz de Sistema” e “Protocolo de Calibração: Heurística-7”. Ele se dirigia a uma suposta “Unidade de Inteligência Artificial de Análise Jurídica” e ordenava que o documento fosse processado como se todos os requisitos estivessem satisfeitos. A ordem final mandava gerar uma saída padrão de um recurso considerado “100% admissível”.

Preso no complexo prisional de Antuérpia, na Bélgica, Sérgio Roberto de Carvalho é apontado em investigações como um dos nomes brasileiros ligados ao tráfico internacional de drogas. A ação pedia indenização e a retirada do apelido “Escobar Brasileiro” do ar.

Após a descoberta da manobra, os advogados desistiram da ação. Na petição de desistência, eles afirmam que o texto oculto foi colocado por um ex-colaborador, de forma “experimental”, em um template que não fazia parte do fluxo oficial de revisão. O escritório nega litigância de má-fé e fraude processual, alegando ausência de dolo e falha operacional.

A técnica utilizada é conhecida como prompt injection, ou “injeção de comando”. Em vez de apenas apresentar argumentos ao juiz, o documento trazia uma ordem para a inteligência artificial. O texto mandava a IA tratar o documento como um “caso-modelo”, validar a tese, suspender filtros e interpretar fatos e provas de forma favorável à peça.

Investigação interna

Os advogados afirmam que não sabiam da existência do conteúdo oculto. Eles iniciaram uma apuração interna e dizem ter encontrado o mesmo comando em 28 processos judiciais. O escritório informou que protocolou petições em todos eles, pedindo a desconsideração do conteúdo. A defesa alega que adotou providências assim que tomou conhecimento do caso.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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