Angela Davis, escritora e ativista conhecida por sua luta pelos direitos civis, afirmou que os supremacistas brancos nos Estados Unidos apenas “saíram do armário”. A declaração foi dada em entrevista à Folha de S.Paulo, no Rio de Janeiro, onde participa da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).
Para Davis, a ascensão de figuras como Donald Trump não significa que a supremacia branca esteja em crescimento. Ela argumenta que o conservadorismo sempre fez parte da história do país e que o que se vê agora é uma expressão mais aberta desse pensamento. A ativista cita o ataque ao Congresso dos EUA em 2021 como um exemplo extremo, mas ressalta que os envolvidos representavam uma minoria da população.
Davis também defendeu a abolição do sistema prisional. Segundo ela, a proposta não minimiza o sofrimento das vítimas de crimes, mas busca atender às necessidades sociais que levam à violência. Ela criticou o uso de tecnologias como reconhecimento facial e policiamento preditivo, classificando essas ferramentas como perigosas e baseadas no racismo estrutural.
A ativista comentou o fracasso do movimento “Defund the Police”. Para ela, a iniciativa perdeu força por causa de intervenções conservadoras, mas as bases para a resistência continuam ativas. Davis destacou que o apoio ao governo Trump é limitado a cerca de um terço da população e que a verdadeira mudança política virá da organização popular, e não de eleições.
Sobre a causa palestina, Davis afirmou que a solidariedade ao povo palestino não deve ser confundida com antissemitismo. Ela acusou conservadores de usarem essa equiparação como tática política. A ativista também disse que a maioria dos americanos hoje se inclina mais pela solidariedade à Palestina do que pelo Estado de Israel, algo que considera inédito.
Angela Davis participa da Flip no sábado (25), às 18h, no Sesc Caborê, em Paraty. Acompanhada da acadêmica Gina Dent, sua companheira de vida e projetos, ela escreve um livro sobre jazz e segue defendendo o fim do sistema carcerário.
