26/07/2026
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Contrato de tapa-buraco salta de R$ 4 mi para R$ 23 mi

Um contrato de tapa-buraco que começou com valor de R$ 4,2 milhões e chegou a uma despesa superior a R$ 20 milhões, com acréscimos por aditivos, é um dos focos da investigação do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

De acordo com a investigação, a empresa Construtora Rial Ltda venceu a concorrência para o serviço na Região do Segredo, em Campo Grande. O contrato inicial, assinado em julho de 2022, era de R$ 4.288.013,74. Com os aditivos, o valor total chegou a R$ 21.355.970,06, segundo o MP.

Na terça-feira (12), a Operação Buraco Sem Fim prendeu o ex-secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Rudi Fiorese, que assinou o primeiro contrato em 2022. Também foram presos Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, sócio-administrador da construtora, e seu pai, Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, conhecido como “Peteca”. Para os investigadores, Antônio Roberto é o verdadeiro tomador de decisões da empresa, que está formalmente em nome do filho e da esposa.

O Gecoc afirma que, por trás da fachada formal da empresa, os elementos apontam para a atuação de Antônio Roberto como sócio oculto. Dos R$ 429 mil em dinheiro apreendidos na operação, mais da metade estava na casa dele. Outros maços de dinheiro vivo foram encontrados na residência de Rudi Fiorese.

Uma consulta ao Portal da Transparência da Prefeitura de Campo Grande na quinta-feira (14) mostrou que o valor final do contrato é ainda maior do que o reportado pelo MPMS. O montante chegou a R$ 23.630.404,98, sendo R$ 19.342.391,24 em aditivos.

O contrato foi assinado em 1º de julho de 2022 para manutenção de pavimento asfáltico na Região Urbana do Segredo, que inclui bairros como Vila Nasser, Nova Lima, Seminário, Coronel Antonino, Monte Castelo, Vida Nova, Coophasul e Jardim Presidente. O serviço teria prazo inicial de 12 meses e a fonte do recurso era o caixa principal da prefeitura.

Ao longo dos anos, os aditivos foram assinados por outros dois secretários que passaram pela Sisep após a saída de Fiorese. O primeiro aditivo, em maio de 2023, fez readequação de quantitativos sem alterar o valor. O segundo, em junho de 2023, prorrogou o prazo até julho de 2024. O terceiro, em março de 2024, teve aumento de 20,64% (R$ 885.003,41).

Em junho de 2024, o contrato foi prorrogado por mais um ano. Em maio de 2025, veio nova prorrogação, com vigência até julho de 2026. Em fevereiro deste ano, o contrato foi reajustado em 29,484%, acrescentando mais R$ 1.073.328,93 ao valor estimado.

Repercussão e defesa

O vereador Marquinhos Trad (PV), que foi prefeito de Campo Grande entre 2017 e 2022, afirmou que a Rial nunca fez serviços de tapa-buraco em sua gestão. Ele disse que o MP faz citação equivocada de um certame que já foi investigado na Operação Cascalhos de Areia, na qual a empresa não foi investigada.

A Sisep informou, por nota, que acompanha os trabalhos do Gecoc e que servidores investigados foram exonerados. A secretaria disse que outras medidas serão adotadas para que os serviços de manutenção não sejam paralisados.

O advogado Werther Sibut de Araújo, que defende o ex-secretário Rudi Fiorese, afirmou que a prisão não se coaduna com a história do cliente e que vai demonstrar sua conduta ilibada. A defesa prepara um pedido de habeas corpus ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Segundo ele, a operação trata dos mesmos fatos investigados na Operação Cascalho de Areia, de 2023, e não há justificativas técnicas para as prisões. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos empresários presos.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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