27/07/2026
Jornal Conceito»Notícias»Correios suspendem plano e buscam R$ 7 bilhões

Correios suspendem plano e buscam R$ 7 bilhões

Os Correios suspenderam parcialmente o plano de reestruturação da empresa neste mês. A estatal interrompeu o fechamento de agências, a retirada de uma gratificação de R$ 500 para funcionários que atendem ao público e a adoção de um sistema para mapear os recursos necessários para as entregas. A decisão foi tomada após a ameaça de greve dos servidores.

A suspensão ocorre no momento em que a direção da empresa, comandada por Emmanoel Rondon, busca um novo empréstimo de R$ 7 bilhões. A estatal fechou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões. No primeiro trimestre de 2026, o déficit foi de R$ 3,1 bilhões.

Em nota, os Correios afirmaram que a suspensão é temporária e servirá para que entidades representativas dos trabalhadores possam apontar possíveis distorções na aplicação das medidas. “A suspensão das medidas citadas é temporária e restrita aos temas em discussão, permitindo que as demais iniciativas previstas no plano de reestruturação tenham continuidade”, disse a empresa. Ações como venda de imóveis e outras medidas de contenção de despesas estão mantidas.

A suspensão foi proposta em carta a sindicalistas, em resposta ao movimento grevista. Insatisfeitos com as medidas, os representantes dos trabalhadores haviam indicado que começariam uma paralisação na terça-feira passada. Após o aceno da direção, recuaram e mantiveram apenas o estado de greve.

“Como demonstração concreta do compromisso dos Correios com o diálogo, propõe-se a suspensão do fechamento de unidades até 31 de julho de 2026, ressalvadas as unidades fechadas ou em processo avançado de fechamento”, diz a carta, assinada pelo presidente da empresa e pelos diretores de Gestão de Pessoas e de Operações. No período, novos fechamentos serão avaliados com “análise técnica, institucional e social”.

Também foi proposta a suspensão do sistema de dimensionamento de distribuição e a interrupção da retirada do Adicional de Atendimento em Guichê (AAG) e Quebra de Caixa. Das 1.000 unidades que a empresa pretendia reduzir, com economia prevista de R$ 2,1 bilhões, 256 tiveram suas atividades encerradas até o momento.

O novo programa de demissão voluntária (PDV) será voltado exclusivamente para as unidades que serão fechadas, que têm 7 mil funcionários. Na primeira iniciativa de desligamento voluntário deste ano, apenas 3.075 funcionários aderiram, abaixo da meta de 10 mil. A economia foi de cerca de R$ 700 milhões, contra o objetivo de R$ 1,4 bilhão. Agora, a meta é desligar entre 2 mil e 3 mil pessoas.

Avatar photo

Sobre o autor: Sofia Almeida

Ver todos os posts →
Arquivo completo