27/07/2026
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Doleiro movimentou R$ 375 mi para contrabandistas, diz Receita

Doleiro movimentou R$ 375 mi para contrabandistas, diz Receita

Um doleiro que atua na fronteira do Brasil com o Paraguai movimentou mais de R$ 375 milhões entre 2019 e 2024. A informação é da Receita Federal, que deflagrou nesta terça-feira (9) as operações Sicarius I e Sicarius II em parceria com a Polícia Federal. O operador financeiro é apontado como peça central no esquema de lavagem de dinheiro de uma organização criminosa.

De acordo com a Receita Federal no Paraná, apenas nas contas bancárias pessoais do doleiro circularam pelo menos R$ 114 milhões no período. Para dar respaldo às transações financeiras da quadrilha, ele controlava contas em nome de “laranjas” e de empresas de fachada. O nome do suspeito e o local exato onde ele atua não foram divulgados pelas autoridades.

A organização criminosa atua no contrabando de cigarros, na importação ilegal de agrotóxicos, na falsificação de documentos e de placas veiculares e na lavagem de dinheiro. Para operar na linha internacional entre Paraguai, Mato Grosso do Sul e Paraná, o grupo contava com o apoio de servidores públicos, principalmente policiais rodoviários federais. A Corregedoria da Polícia Rodoviária Federal acompanhou os mandados cumpridos contra integrantes da corporação.

Na manhã de hoje, agentes federais cumpriram 44 mandados de prisão preventiva, 14 de prisão temporária, 62 de busca e apreensão, 45 de sequestro e bloqueio de contas bancárias, 5 ordens de cancelamento de CPFs, 7 de cancelamento de CNPJs e 67 ordens para instauração de procedimentos administrativos fiscais. As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Criminal da Justiça Federal de Guaíra (PR) e atingem empresas em 12 estados: Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Alagoas e Pernambuco.

Em Mato Grosso do Sul, os mandados foram cumpridos nas cidades de Mundo Novo, Eldorado, Maracaju e Nova Andradina. Em Nova Andradina, os agentes estiveram na sede de uma empresa de transporte. Um caminhão que pertenceu à empresa havia sido apreendido com carga de contrabando, mas o empresário apresentou documentos que comprovavam a venda do veículo, que não havia sido transferido pelo comprador.

A Superintendência estadual da PRF informou que nenhum policial rodoviário federal de Mato Grosso do Sul é alvo das operações. Porém, pelo menos três agentes da PRF foram presos na região de Guaíra, no Paraná, que é o epicentro das investigações.

Segundo a Polícia Federal, o grupo criminoso tinha uma estrutura com divisão de funções. A organização atuava em diversos estados por meio de empresas de fachada, pessoas interpostas (“laranjas”) e mecanismos de ocultação patrimonial para disfarçar a origem ilegal do dinheiro obtido com as atividades criminosas.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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