27/07/2026
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Ex-secretário liberou R$15 mi para empresa investigada em 3 meses

O ex-secretário de Infraestrutura de Campo Grande, Rudi Fiorese, assinou empenhos, reajustes e aditivos que somam ao menos R$ 15,8 milhões em favor da Construtora Rial Ltda. durante os três meses em que comandou a Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos). A empreiteira é ligada a um empresário preso na Operação “Buraco Sem Fim”, deflagrada pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) na terça-feira (12). Fiorese, que também é investigado, está preso.

Fiorese assumiu a direção-presidência da Agesul em 2 de fevereiro deste ano. O órgão oficializou sua demissão nesta quarta-feira (12), um dia após a operação que investiga um suposto esquema de fraudes em contratos de tapa-buraco na Capital. A investigação aponta suspeita de manipulação de medições, pagamentos por serviços não executados e desvios de recursos públicos.

Segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), os contratos da Prefeitura de Campo Grande que passarão por pente-fino somam R$ 113,7 milhões entre 2018 e 2025. As apurações do Gecoc não atingem contratações feitas pelo Governo de Mato Grosso do Sul, mas publicações no DOE (Diário Oficial do Estado) mostram que Fiorese assinou atos administrativos envolvendo a Rial entre fevereiro e maio.

Entre os atos, estão empenhos para manutenção de rodovias estaduais em Três Lagoas e Camapuã, além de liberações para obra de drenagem e pavimentação no Bairro Otaviano Pereira, em Jaraguari. Em fevereiro, foram autorizados valores de R$ 1,5 milhão, R$ 500 mil, R$ 622 mil, R$ 1,1 milhão, R$ 85 mil e R$ 1,2 milhão. Em março, novos empenhos somaram mais de R$ 6 milhões. Em abril, a Agesul autorizou outro empenho de R$ 1 milhão para Jaraguari.

O primeiro aditivo após a posse de Fiorese foi assinado em 9 de fevereiro, sete dias depois da nomeação, e acrescentou R$ 1.515.539,73 ao contrato de manutenção rodoviária em Três Lagoas, elevando o valor total de R$ 11,5 milhões para R$ 13 milhões. O documento foi assinado por Fiorese e pelo empresário Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, dono da Rial e um dos presos na operação.

Fiorese também assinou termos de renovação excepcional de contratos de 2021 para manutenção de vias em Camapuã e Três Lagoas, prorrogando a atuação da empresa por mais 12 meses. Somados, os contratos atualizados ligados à Rial chegam a R$ 27,7 milhões. Os R$ 15,8 milhões identificados correspondem a empenhos, reajustes e movimentações autorizadas durante a gestão de Fiorese na Agesul.

A Rial está no centro da investigação. Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa e o pai dele, Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, foram presos preventivamente. Mais da metade dos R$ 429 mil em espécie apreendidos estavam na casa do empresário Antônio Roberto. Outros R$ 186 mil foram encontrados na residência de Fiorese. A operação também prendeu servidores ligados ao setor de tapa-buraco, como o engenheiro Mehdi Talayeh e o gerente Edivaldo Aquino Pereira, depois exonerados.

Os sete presos foram mantidos na prisão nesta quarta-feira (13) após o juiz de custódia Francisco Soliman homologar os mandados sem analisar pedidos de liberdade. Os advogados de Antônio Bittencourt e Antônio Roberto pediram relaxamento da prisão, alegando falta de acesso aos autos e, no caso do pai, idade avançada de 70 anos e estado de saúde. A defesa de Rudi Fiorese afirmou que a prisão é “desarrazoada” e que não teve acesso aos autos, o que impede a ampla defesa. A reportagem consultou o Governo de MS e aguarda retorno.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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