27/07/2026
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Frio de 11°C agrava dor crônica em pacientes de MS

Frio de 11°C agrava dor crônica em pacientes de MS

Pessoas que convivem com dor crônica em Campo Grande sofrem ainda mais com a queda de temperatura. Nesta terça-feira (23), a cidade amanheceu com 11°C, o que agravou os sintomas de pacientes com doenças como lúpus, esclerose múltipla e fibromialgia.

Katherine Cordeiro, 35, tem lúpus e relata que tanto o sol quanto o frio pioram suas dores. O frio enrijece as articulações, enquanto a luz solar causa reações inflamatórias. Ela deixou de tomar medicamentos que controlam a doença por causa de problemas nos rins. “Tem dias que não consigo pentear o cabelo, mas já ouvi de tudo: isso é coisa da sua cabeça, é frescura, é preguiça”, conta.

Katherine trabalhava como analista de recursos humanos e fez um MBA. Descobriu o lúpus há seis anos, após muita procura por médicos. O diagnóstico veio na rede privada, mas hoje ela depende do SUS. “Você demora mais de um ano para se consultar com um especialista. Precisa de psicólogo e não tem”, resume.

Com o agravamento dos sintomas, ela pediu afastamento do trabalho, mas o último pedido foi negado pelo INSS. Katherine recorre da decisão com ajuda de uma advogada. Casada e com três filhos, ela criou o Instituto Asas de Esperança para apoiar outros pacientes.

Gleysi Rezende, 46, tem esclerose múltipla, artrite reumatoide e fibromialgia. Ela conta que levou uma hora para levantar nesta terça. “O corpo parece não responder. Sinto muita fadiga, exaustão”, afirma. Antes dos sintomas, ela vendia consórcios e viajava com frequência. Conseguiu se aposentar por incapacidade permanente após uma cirurgia na coluna.

O diagnóstico de Gleysi veio em 2014, com ajuda de um médico de São Paulo. Ela paga um plano de saúde para ter acesso a reumatologista, neurologista e outros especialistas. “Se dependesse da rede pública, não conseguiria estabilizar os sintomas”, diz.

A jornalista Luane Morais, 34, também tem lúpus. Descobriu a doença em 2011. Ela enfrenta dificuldades no SUS e na rede privada. “Na rede pública não fizeram o exame principal para saber se a doença está ativa”, relata. Luane precisou parar de tomar o medicamento que controla o lúpus por causa de um problema na retina.

A reumatologista Túlia Figueiredo afirma que a maioria de seus pacientes com dor crônica são mulheres entre 30 e 60 anos. “Muitos convivem com os sintomas por bastante tempo antes de receber um diagnóstico adequado”, diz. As causas mais comuns são artrose, fibromialgia e artrite reumatoide.

A médica explica que o frio piora a dor. “As baixas temperaturas favorecem a contratura muscular e aumentam a rigidez articular. Em dias frios, as pessoas se movimentam menos, o que aumenta o desconforto”, completa. Ela recomenda manter atividade física, fazer alongamentos e usar roupas adequadas.

Nova lei e rede pública

No início de julho, foi publicada uma lei que cria diretrizes nacionais para o atendimento de pacientes com dor crônica no SUS. A norma garante assistência integral e institui o dia 5 de julho como Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Dor Crônica.

A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande informou que o SUS já prevê cuidado integral a esses pacientes. “Os postos de saúde são a porta de entrada. Quando necessário, os pacientes são encaminhados para a rede especializada, como a reumatologia”, diz a nota.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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