O governo federal anunciou que pretende preservar os investimentos considerados estratégicos do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em Mato Grosso do Sul, mesmo com o bloqueio de R$ 23,7 bilhões no orçamento para cumprir as metas fiscais deste ano. A informação foi dada pelo secretário especial do PAC, Roberto Garibe, em entrevista ao Campo Grande News.
Segundo Garibe, já foram aplicados R$ 10,3 bilhões no estado, o que equivale a 60% dos R$ 17,2 bilhões previstos para a atual gestão. Ele classificou o valor como o maior conjunto de investimentos federais da história recente de Mato Grosso do Sul. Desse total, R$ 15,7 bilhões são aportes diretos no estado, enquanto R$ 1,5 bilhão tem alcance regional, financiando iniciativas compartilhadas com outros estados.
O secretário afirmou que a prioridade é garantir que as obras em andamento, que mais impactam a vida da população e a competitividade do estado, sejam concluídas. A estratégia do programa é focar em projetos estruturantes para reduzir gargalos de infraestrutura, melhorar a logística e ampliar os serviços públicos.
O Novo PAC em Mato Grosso do Sul reúne 659 empreendimentos em sete eixos: saúde, educação, saneamento, infraestrutura social, transporte, energia e conectividade. Até dezembro de 2025, 180 obras foram concluídas. De acordo com Garibe, 74% da carteira estadual de investimentos está ativa, com projetos em obras ou em fase de licitação, como a futura concessão da Ferrovia Malha Oeste.
Infraestrutura logística
Garibe destacou três iniciativas com potencial para transformar a economia do estado. A principal é a concessão da BR-163/MS, licitada em agosto de 2025 para a Motiva Pantanal. O contrato prevê R$ 4,86 bilhões em investimentos nos primeiros anos e R$ 9,3 bilhões ao longo de 29 anos.
Desde a assinatura do acordo, 22,1% das obras foram executadas. A Motiva Pantanal informou que 14 frentes de ampliação e melhorias foram iniciadas, incluindo duplicações em Campo Grande e São Gabriel do Oeste, além de faixas adicionais em Mundo Novo e Itaquiraí. A primeira obra concluída, em abril, foi uma faixa adicional em Mundo Novo, entregue antes do prazo previsto.
Outro projeto prioritário é a Rota Bioceânica, corredor de 2.396 quilômetros que ligará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. A expectativa é reduzir em até 17 dias o tempo de transporte de mercadorias para a Ásia. O Brasil terá acesso pela ponte que liga Porto Murtinho a Carmelo Peralta, no Paraguai, em fase final de construção.
O Novo PAC destina R$ 551 milhões para a adequação da BR-267/MS, com 31% de execução física. Também integram o corredor os serviços de dragagem do Rio Paraguai, com 27,4% dos R$ 95,7 milhões previstos executados.
Outras obras incluem a pavimentação da BR-419 (75% concluída) e o Contorno Rodoviário de Três Lagoas (50% concluído, com investimento de R$ 229 milhões). O governo também prepara a licitação da Hidrovia do Rio Paraguai e da Ferrovia Malha Oeste.
