06/08/2026
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Homem culpa cerveja por atropelar e matar esposa em Campo Grande

Homem culpa cerveja por atropelar e matar esposa em Campo Grande

O réu Willames Monteiro dos Santos, de 36 anos, afirmou durante interrogatório no Tribunal do Júri, em Campo Grande, que o consumo de cerveja foi o motivo que o levou à prisão e à perda da esposa. Ele é acusado de feminicídio qualificado pela morte de Andressa Fernandes Teixeira, de 29 anos, atropelada duas vezes na frente dos filhos.

Em depoimento que durou cerca de 55 minutos, Willames negou que tenha atropelado a esposa intencionalmente. Ele disse que o casal não discutiu antes do crime e que a morte foi um acidente após os dois terem consumido bebida alcoólica. Segundo o réu, os dois passaram a tarde em casa assando carne e bebendo cerveja. Ele comprou uma caixa com 15 latas e depois mais duas embalagens, mas não lembrou a quantidade que ingeriu.

“Nós estávamos felizes, cantando, fazendo planos. Ligamos para minha irmã, em São Paulo, dizendo que passaríamos o Natal lá. Não teve discussão”, declarou. Willames afirmou que a única divergência ocorreu quando ele decidiu sair para comprar mais bebida. “Ela falou para eu não ir porque tinha uma viatura da polícia perto e não queria que eu fosse preso. Eu falei que ia, mas em nenhum momento fui para cima dela ou agredi ela.”

O acusado contou que colocou o filho caçula na cadeirinha do carro, ligou o veículo, fechou os vidros, acionou o ar-condicionado e o som antes de sair da garagem. Ele disse que acreditava que Andressa permanecia próxima ao portão e que só percebeu o atropelamento quando ouviu a filha gritar. “Dei ré e só escutei minha menina gritando que a mãe estava embaixo do carro. Desci, ela pegou na minha mão e eu falei: ‘me perdoa, eu não vi’. Pedi ajuda para tirar o carro de cima dela.”

Willames insistiu que não teve intenção de matar a esposa. “Se eu tivesse matado ela com intenção, teria atropelado ela de frente. Se eu quisesse matar, eu teria fugido. Tive oportunidade e fiquei lá tentando socorrer.” Questionado pela promotora, o réu apresentou versão diferente da perícia. Ele afirmou que a câmera de ré estava quebrada e que desligou o sensor de estacionamento porque o equipamento emitia sons enquanto dirigia.

A declaração diverge do laudo pericial apresentado em audiência em 2024. O perito afirmou que o Volkswagen Polo tinha freios e câmera de ré em pleno funcionamento e que o veículo reduz automaticamente o volume do som ao engatar a marcha à ré. O laudo concluiu que o carro passou duas vezes sobre Andressa.

Willames responde por feminicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, na noite de 20 de abril de 2024, Andressa tentou impedir que o marido dirigisse após consumir bebida alcoólica e permaneceu em frente ao portão da casa, no Bairro Nova Campo Grande. Em seguida, foi atropelada duas vezes pelo veículo conduzido por ele.

A acusação sustenta que o atropelamento foi intencional. A defesa mantém a tese de acidente e afirma que o réu tentou prestar socorro. A mãe de Andressa, Rosângela Fernandes, disse esperar a condenação do acusado e afirmou que é responsável pela criação dos dois netos do casal, que presenciaram o atropelamento. Já o irmão de Willames, Sandro Monteiro, declarou acreditar na inocência do réu e classificou a morte como fatalidade.

A filha mais velha do casal, hoje com 14 anos, prestou depoimento em sessão reservada, sem a presença do público, dos familiares e do próprio pai. Após o interrogatório, acusação e defesa iniciaram os debates perante o Conselho de Sentença. As sete juradas responderão aos quesitos formulados pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos para decidir se o acusado será condenado ou absolvido. A sentença deve ser conhecida ainda nesta quarta-feira.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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