27/07/2026
Jornal Conceito»Notícias»Maratonista descobre gravidez de trigêmeas em Dubai

Maratonista descobre gravidez de trigêmeas em Dubai

A sul-mato-grossense Mariana Barbosa de Jesus, de 37 anos, se mudou para os Emirados Árabes com o plano de treinar para a Maratona de Dubai e viver um período mais tranquilo, quase um “ano sabático”. Personal trainer, professora de yoga e mestra reikiana, ela mantinha a rotina de treinos e dava aulas online. A vida mudou quando uma consulta médica revelou que ela estava grávida de trigêmeas, de forma natural, sem fertilização.

“Nem ácido fólico eu tinha tomado. Eu estava treinando para a maratona, tomei vinho dias antes e estava tudo certo”, lembra Mariana. Natural de Mato Grosso do Sul, ela se mudou para Abu Dhabi após o marido, o lutador Nicholas Favaretto, ser contratado para um projeto de jiu-jítsu no exército e nas escolas dos Emirados. Eles se conheceram no fim de 2019 e, em 45 dias, decidiram se casar. A pandemia adiou a mudança, que ocorreu apenas no ano passado.

A adaptação ao novo país trouxe desafios. “O que mais me impactou foi o bioma. Aqui você vê areia, areia, areia. Não tem o verde que a gente está acostumado no Brasil”, conta. Sobre os costumes locais, Mariana afirma que nunca sofreu preconceito, mas aprendeu a lidar com as diferenças. “Às vezes eu me sentia desconfortável de estar muito exposta, porque as mulheres estão todas cobertas. Então, por respeito, em vários momentos eu saía com meu xale também.”

A descoberta da gravidez foi inesperada. Com pequenos sangramentos, ela procurou um médico, que fez um ultrassom. “O médico falou: ‘Two babies’. Depois ele parou, olhou de novo e disse: ‘Maybe three’.” Com seis para sete semanas de gestação, os três embriões e os corações batendo já eram visíveis. “Não teve aquele momento leve de ‘ai, estamos grávidos’. Foi um choque. Mas ao mesmo tempo eu me senti muito privilegiada”, diz.

A gestação foi acompanhada por uma equipe de medicina fetal em um hospital de referência. O médico jordaniano Mohammed usava tradutores para se comunicar com o casal. “O plano de saúde cobriu absolutamente tudo. Foi excelência do começo ao fim”, afirma Mariana. Ela viveu a gravidez de forma reservada, com medo natural de uma gestação delicada. “Eu pensava: será que meu corpo consegue sustentar essas três vidas?”

As trigêmeas nasceram prematuras e passaram pela UTI neonatal. A última a receber alta foi Alma, que ficou 86 dias internada. Mariana descreve esse período como o mais difícil. “O mais difícil foi ir para casa sem as meninas.” Sem rede de apoio próxima, ela enfrentou a rotina sozinha, enquanto o marido trabalhava. “Pegava táxi, ia para o hospital, ficava o dia inteiro lá, voltava para casa e seguia na rotina de ordenha. Isso foi intenso.”

Hoje, a família mantém as tradições brasileiras em casa. “O churrasquinho de domingo tem que existir. A feijoada não é completa porque não tem carne de porco, mas o feijão preto ajuda a matar a saudade”, brinca. Mariana reforça às filhas que elas não perdem as raízes brasileiras. “Elas não são árabes, são pantaneiras. Eu falo que são emiradenses pantaneiras.” Ao olhar para trás, ela diz que cada etapa parecia impossível, mas hoje a sensação é de gratidão. “O amor não foi dividido. Foi multiplicado”, finaliza.

Avatar photo

Sobre o autor: Sofia Almeida

Ver todos os posts →
Arquivo completo