27/07/2026
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Meloni nega ter implorado foto com Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, “implorou” para tirar uma foto com ele durante a cúpula do G7. A declaração foi feita em entrevista a uma TV italiana. Meloni negou a história e classificou as falas como “completamente inventadas”. A premiê disse estar “surpresa” com o ocorrido e repreendeu Trump por atacar aliados.

A relação entre os dois líderes, antes próxima, começou a se deteriorar em abril. Meloni criticou Trump depois que ele chamou o papa Leão XIV de “fraco” por condenar a guerra no Irã. Ela afirmou que considerava as palavras do presidente norte-americano “inaceitáveis”. Trump respondeu um dia depois, dizendo estar “chocado” com a postura da líder italiana e afirmou que ela “não é mais a mesma pessoa”.

O distanciamento entre Trump e Meloni começou meses antes do episódio envolvendo o papa. Analistas ouvidos pelo jornal The New York Times avaliam que a premiê aproveitou o momento para sinalizar ao público italiano um afastamento do presidente dos EUA. Pesquisas indicam aumento da impopularidade de ambos entre eleitores italianos.

Meloni sempre foi vista como uma das líderes europeias mais próximas de Trump. Eles compartilhavam posições semelhantes em temas como combate à imigração ilegal e críticas a agendas progressistas. A aproximação começou antes de Meloni chegar ao poder, em 2018, quando ela recebeu o ex-conselheiro de Trump Stephen Bannon em uma conferência conservadora na Itália.

Em 2025, quando Trump retornou à Casa Branca, Meloni foi a única líder europeia presente na cerimônia de posse. O clima começou a mudar em abril do ano passado, quando Trump anunciou tarifas comerciais contra aliados europeus. Meloni afirmou que os Estados Unidos estavam tomando a decisão errada.

Em outubro, os dois protagonizaram um momento inusitado durante um evento no Egito. Trump disse que Meloni era “bonita” e “incrível”, enquanto a premiê sorria. Em janeiro, Trump voltou a defender a anexação da Groenlândia, proposta rejeitada por países europeus. Meloni tentou se equilibrar entre um tom conciliador e outro firme.

Em fevereiro, quando os EUA atacaram o Irã, a Itália foi surpreendida. O ministro da Defesa italiano estava de férias e precisou ser resgatado em um jato militar. A oposição criticou Meloni, afirmando que a Casa Branca não avisou a Itália sobre a operação. Pesquisas apontaram que os italianos não apoiavam a ofensiva norte-americana.

Diante disso, Meloni passou a condenar a guerra e afirmou que a Itália não participaria do conflito. Ela também se recusou a permitir que caças dos EUA utilizassem uma base aérea na Sicília. A premiê acabou derrotada em um referendo sobre a reforma judicial, o que fortaleceu a oposição.

Especialistas avaliam que Meloni pode ter se aproveitado da crise entre Trump e o papa para romper com o presidente norte-americano. Analistas acreditam que um afastamento definitivo poderia mudar a percepção de eleitores italianos. Na terça-feira, ela anunciou que a Itália não renovaria um acordo de defesa com Israel.

O ministro das Empresas e do Made in Italy, Adolfo Urso, afirmou que as relações entre EUA e Itália não serão abaladas pela controvérsia. Já Trump insistiu que a relação se deteriorou. A ex-embaixadora da Itália nos EUA, Mariangela Zappia, disse que a crise pessoal entre os líderes não deve afetar as relações entre os dois países.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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