Mato Grosso do Sul registrou 21 mortes por chikungunya em 2026, o maior número desde o início do monitoramento, em 2015. Os dados são do último boletim da Secretaria Estadual de Saúde (SES), divulgado nesta quinta-feira (29). O recorde anterior era de 2025, com 17 óbitos, e foi superado antes da metade do ano.
De acordo com o boletim, as três mortes mais recentes ocorreram em Guia Lopes da Laguna (uma mulher de 53 anos com diabetes), Dourados (uma mulher de 82 anos com diabetes e hipertensão arterial) e Itaporã (uma mulher de 50 anos com doença autoimune).
Dourados concentra 14 das 21 mortes deste ano. A situação é mais grave entre a população indígena, que enfrenta uma epidemia da doença nas aldeias. A região recebe apoio federal para prevenção, atendimento e tratamento de pacientes.
O número total de casos confirmados até 23 de maio era de 6.360, também um recorde no estado. Antes do fechamento do boletim, outros dois óbitos estavam em investigação.
A chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. A doença causa febre e dores intensas nas articulações. O quadro pode se agravar em pacientes com outras doenças. Idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com comorbidades estão no grupo de risco.
Segundo o Ministério da Saúde, o vírus chegou ao continente americano em 2013. No Brasil, os primeiros casos foram confirmados em 2014, no Amapá e na Bahia. Atualmente, a doença está presente em todo o país, com maior incidência no Centro-Oeste, Nordeste e no litoral de São Paulo e Rio de Janeiro.
A doença está relacionada a altas temperaturas e à falta de saneamento. A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) considera a chikungunya uma doença tropical negligenciada. Uma vacina para prevenir casos graves está sendo aplicada em Dourados, Itaporã e municípios vizinhos.
Dengue também preocupa no estado
Além da chikungunya, Mato Grosso do Sul enfrenta alta nos casos de dengue. Dados da SES indicam que o número de infecções pela doença também superou a média histórica nos primeiros meses de 2026. As autoridades de saúde reforçam a necessidade de eliminar criadouros do mosquito Aedes aegypti, que transmite as duas doenças.
A Secretaria Estadual de Saúde realiza ações de fumacê e distribuição de inseticidas nos municípios com maior incidência de casos. A orientação é que a população mantenha caixas d’água tampadas, limpe calhas e evite o acúmulo de lixo e entulho. Em Dourados, a prefeitura intensificou as visitas de agentes de saúde às residências para orientar os moradores sobre a prevenção.
