A documentarista Flávia Tasso registrou imagens de um tucano no Pantanal Norte, em Porto Jofre (MT), após cerca de cinco a seis horas de espera. Especializada em documentários sobre animais selvagens e povos indígenas, ela descreve o encontro como uma troca entre humano e animal.
Na imagem, o tucano surge lentamente detrás de um tronco, como quem sabe que está sendo observado. Primeiro mostrou apenas parte do bico. Depois, iluminado pela luz dourada do sol, revelou-se em tons que vão do alaranjado ao vermelho intenso, detalhes tão marcantes que parecem desenhados à mão.
Flávia conta que a imagem exigiu paciência e respeito ao tempo da natureza. Ao perceber que o tucano voltava ao ninho, ela escolheu um ponto estratégico e permaneceu ali por cerca de cinco a seis horas, evitando movimentos bruscos para não assustá-lo. Segundo a documentarista, aproximar-se de um tucano é um processo lento. “É quase uma dança”, descreve. “Ele se afasta e eu recuo um pouco.” Aos poucos, a ave parece aceitar a presença humana.
O vídeo publicado por Flávia nas redes sociais traduz essa sensação de troca, ocorrida em Porto Jofre (MT), lodge da Southwild. Em vez de apenas capturar uma imagem, ela descreve o encontro como um instante raro em que o animal percebe quem o observa. “Existe algo muito especial em ser vista por um animal selvagem”, escreveu. “Porque naquele instante ele não é apenas imagem. Existe troca. Existe presença.” Na gravação, o tucano parece surgir e se esconder repetidas vezes, como se também observasse a fotógrafa antes de decidir permanecer.
Formada em cinema de documentário animal na França em 2022, Flávia atua na área desde 2017 e hoje ensina técnicas de rastreio e aproximação da vida selvagem em cursos presenciais e on-line. Para ela, a fotografia começa muito antes da câmera. “A vida selvagem começa na escuta”, afirma.
Em outra ocorrência no Pantanal, um biólogo fez um flagrante raro da amamentação de um filhote de onça-pintada. Também foi aprovado um plano para reduzir atropelamentos de animais em rodovias. A chuva trouxe sensação de 4,9ºC para Campo Grande na véspera do Dia das Mães, e uma chuva inesperada alegrou o Pantanal, com um cervo comemorando em área alagada.
