28/07/2026
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Brasil sofre nas laterais após gerações de craques

No caminho para o primeiro dos cinco títulos da Copa do Mundo, em 1958, o Brasil teve uma jogada emblemática na vitória por 3 a 0 sobre a Áustria. Nilton Santos era o lateral esquerdo, posição então eminentemente defensiva.

“Ele arrancou para o ataque, e eu gritei: ‘Vai em frente que eu fico no seu lugar'”, recordou Zagallo, ponta-esquerda daquela equipe, em 2013. “O nosso técnico [Vicente Feola] se desesperou, mas acabou aplaudindo quando o Nilton surpreendeu toda a defesa adversária e fez o gol. A partir dali, os laterais nunca mais jogaram do mesmo jeito.”

Foi o primeiro de uma série de grandes momentos dos laterais brasileiros na construção do pentacampeonato mundial. Em 1958 e 1962, a direita e a esquerda eram dos históricos Djalma Santos e Nilton Santos. Em 1970, o gol mais bonito do melhor time de todos os tempos foi de Carlos Alberto. Em 1994, o troféu não teria sido erguido sem uma bomba de Branco e um cruzamento de Jorginho. Em 2002, a dupla era formada pelos excepcionais Cafu e Roberto Carlos.

Em 2026, na luta pelo hexa, os jogadores não são do mesmo nível. A seleção vive raro momento de escassez nas laterais, e o técnico Carlo Ancelotti é o primeiro a admitir isso. Tudo indicava que ele utilizaria na direita o zagueiro Éder Militão, que foi seu atleta no Real Madrid e já executou a função. O beque de 28 anos, no entanto, teve de ser submetido a uma cirurgia na coxa esquerda e está fora da Copa.

As alternativas, em certa medida, também são improvisos. Wesley, 22, que surgiu como lateral direito, atua na Roma como ala esquerdo. Danilo, 34, foi lateral em boa parte da carreira, mas hoje é zagueiro reserva do Flamengo. Ancelotti já confirmou, antes mesmo da lesão de Militão, o nome de Danilo na lista de 26 a ser anunciada no próximo dia 18. A escolha está mais ligada à experiência e ao papel de líder silencioso do que à produção em campo.

Desde que assumiu a seleção, o treinador convocou Vanderson, 24, do Monaco, em recuperação de lesão; Paulo Henrique, 29, do Vasco; e Vitinho, 26, do Botafogo. Ibañez, 27, zagueiro do Al Ahli, também pode ser adaptado à lateral direita.

Na esquerda, a situação não é tão diferente. Pelas indicações do comandante, os escolhidos serão os defensivos Alex Sandro, 35, do Flamengo, e Douglas Santos, 32, do Zenit. Ancelotti demonstrou confiança em Caio Henrique, 28, do Monaco, outro em recuperação. Também testou Carlos Augusto, 27, da Inter de Milão; Luciano Juba, 26, do Bahia; e Kaiki, 23, do Cruzeiro. Há um clamor por Matheus Bidu, 26, do Corinthians, mas parece improvável que alguém vá à Copa sem experiência anterior na seleção.

Esse é o cenário nas laterais, frágeis para o padrão histórico do Brasil. A prioridade, pelo que aponta o comandante, será dada a jogadores defensivamente sólidos, capazes de fazer desarmes e iniciar contragolpes para atacantes velozes como Vinicius Junior. Não será com Djalma Santos e Nilton Santos que a equipe buscará o troféu de 2026. O pôster do hexa, se vier, poderá ter Douglas Santos.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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