28/07/2026
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Estudo propõe asfixia financeira e cooperação internacional em MS contra crime

Estudo propõe asfixia financeira e cooperação internacional em MS contra crime

Um estudo encomendado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública propõe uma mudança no combate ao crime organizado. A publicação defende que o Estado concentre esforços na asfixia financeira das facções, na integração entre órgãos de segurança e no fortalecimento da cooperação policial internacional em fronteiras como a de Mato Grosso do Sul com Paraguai e Bolívia.

O documento, intitulado Criminalidade Organizada: Diagnóstico e Políticas Públicas e Legislativas, foi elaborado por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF), do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (GENI) e especialistas convidados. A análise aponta que organizações como o PCC e o Comando Vermelho atuam como redes empresariais transnacionais, com capacidade de lavagem de dinheiro e exploração de fragilidades do Estado.

O estudo afirma que o modelo tradicional de enfrentamento, baseado em apreensões de drogas e prisões, se tornou insuficiente. A recomendação é desenvolver mecanismos para atingir a estrutura econômica das organizações criminosas. Em vez de seguir apenas a droga, a orientação é seguir o dinheiro.

Uma das propostas é apresentada pelo agente da Polícia Federal Yuri Corrêa Araújo. Ele defende a criação de seis novos Centros Integrados de Cooperação Policial Internacional (CICOPIs), um deles em Campo Grande. O autor reconhece que os gargalos operacionais estão em Ponta Porã e Corumbá, mas afirma que a capital tem estrutura para sediar equipes permanentes de policiais brasileiros e estrangeiros.

A proposta está alinhada com o governo e reforça a cooperação internacional no combate ao crime organizado, sem classificá-lo como terrorismo.

Os pesquisadores afirmam que o modelo atual de cooperação é lento diante da velocidade das facções, que atravessam fronteiras e reorganizam suas cadeias logísticas em horas. Para Yuri Corrêa Araújo, a cooperação internacional se tornou um pilar da política criminal brasileira.

No rastro do dinheiro

Em um dos capítulos, os pesquisadores afirmam que o “asfixiamento financeiro” é o ponto fraco das organizações criminosas. Eles defendem o fortalecimento da inteligência nas fronteiras, com integração entre Polícia Federal, Receita Federal e Coaf.

A proposta parte do princípio de que as facções conseguem recompor perdas de drogas e armas, mas têm dificuldades quando seus ativos financeiros são bloqueados e mecanismos de lavagem são desmontados.

O capítulo sobre tráfico de drogas defende que as cadeias ilícitas sejam analisadas como mercados. Paraguai e Bolívia são descritos como elos da cadeia de suprimentos de cocaína e maconha, enquanto o Brasil é visto como país consumidor, corredor logístico e plataforma de exportação.

O estudo destaca as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs) como experiência promissora. Mato Grosso do Sul já conta com uma unidade desse modelo, apontado como exemplo de integração necessária.

A publicação sustenta que a resposta do Estado deve acompanhar a evolução das facções. A estratégia defendida é baseada na descapitalização das organizações, cooperação policial internacional e inteligência financeira. Mato Grosso do Sul passa a ocupar posição estratégica na política nacional de combate ao crime organizado, como território para produção de inteligência e rastreamento de fluxos financeiros.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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