28/07/2026
Jornal Conceito»Notícias»Frigoríficos no MS reduzem abates em até 40% com crise no mercado

Frigoríficos no MS reduzem abates em até 40% com crise no mercado

Frigoríficos no MS reduzem abates em até 40% com crise no mercado

Frigoríficos de Mato Grosso do Sul reduziram em até 40% o volume de abates. A informação é do Sicadems (Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul). A medida foi tomada após o fim da cota anual de importação da China e a baixa oferta de bois prontos para o abate.

Duas plantas já haviam paralisado os abates em julho: a JBS, em Campo Grande, e a Iguatemi Beef. As demais unidades reduziram a produção entre 35% e 40%.

O presidente do Sicadems, Régis Luís Comarella, afirmou que o momento é complicado e exige cautela. Segundo ele, a cota da China se completou e só será retomada em janeiro.

Comarella explicou que os embarques de carne que chegarem à China antes da abertura da nova cota pagarão 67% de imposto. Esse valor é a soma da tarifa regular de 12% com uma sobretaxa de 55% aplicada após o fim da cota anual.

Os Estados Unidos não aplicaram tarifa extra sobre a carne brasileira, mas os preços pagos pelo mercado norte-americano não acompanham os valores da arroba no Brasil. O boi está entre R$ 330 e R$ 335, valor que o mercado interno não consegue pagar.

Além das duas plantas paralisadas, outras unidades reduziram a produção ou deram férias coletivas. A Naturafrig diminuiu o ritmo de abates. A Boibras concedeu férias coletivas a cerca de 200 funcionários. A Frigosul passou a operar parcialmente.

Mesmo com a redução dos abates, as escalas de compra de gado continuam curtas. Comarella disse que não sabe se o pecuarista está segurando o boi para conseguir preço melhor ou se realmente há falta de animais.

O pesquisador do Cepea/Esalq-USP, Thiago Bernardino de Carvalho, afirmou que o mercado está em transição. Para ele, o desafio não é produzir mais carne, mas encontrar mercados que absorvam a produção enquanto a China reduz as compras.

Carvalho disse que a pressão sobre a arroba deve durar até meados de setembro. Depois disso, a tendência é de reação gradual, com a preparação para a nova cota chinesa, prevista para janeiro de 2027.

Para que a carne chegue à China no início do ano que vem, os frigoríficos precisam comprar os bois, abater, processar, obter certificações e embarcar entre setembro e novembro. Isso deve aumentar a demanda por bois terminados a partir de setembro.

O mercado futuro já indica essa expectativa. Os contratos mostram arroba acima de R$ 360 no fim do ano e chegando a R$ 369 em janeiro.

Carvalho destacou que os fundamentos internacionais são positivos para a carne brasileira. Os Estados Unidos têm o menor rebanho bovino desde os anos 1960. Canadá e Austrália também reduziram a produção. Países como Egito, Malásia, Filipinas e Indonésia aumentaram as compras. Japão e Coreia do Sul negociam abertura de mercado.

Avatar photo

Sobre o autor: Sofia Almeida

Ver todos os posts →
Arquivo completo