O jornalista Pedro Henrique Ramos Ribeiro, de 28 anos, usa câmeras de cinema para transformar cenas do dia a dia em registros com aparência de filme. Com uma lente especial, ele fotografa pessoas, lugares e memórias, com foco em uma estética nostálgica e cheia de detalhes. Um de seus projetos foi feito na casa da avó.
A relação de Pedro com câmeras começou na infância. Antes de pensar no audiovisual como carreira, ele já produzia vídeos de games para o YouTube, fazendo as próprias gravações e edições. A familiaridade com esse universo veio de casa: os pais são jornalistas e sempre trabalharam com rádio, televisão e produção audiovisual.
Em setembro do ano passado, ele comprou a primeira câmera e passou a fazer experimentos fora do trabalho profissional. Começou a registrar o cotidiano, pessoas próximas e lugares da sua história, mas com uma preocupação: buscar uma aparência mais próxima da linguagem do cinema. “Eu sempre quis trazer essa estética mais de cinema, mesmo para o cotidiano e para as coisas que eu vivo ali no simples”, disse.
Parte desse trabalho é ligada à família. Pedro sempre foi próximo dos avós e hoje tem uma relação especial com a avó paterna, a única que ainda está viva. A casa dela e o bairro da infância aparecem nos registros por carregarem lembranças de diferentes fases da vida. Foi ali que ele brincava com os primos e passava tempo com a família. Ao voltar com a câmera, passou a registrar esses espaços de outro jeito. “Eu gosto de gravar as coisas ali, porque são memórias. É a nostalgia que tem naquele ambiente em que eu passei a minha infância também”, explica.
Para chegar ao resultado que procura, as lentes têm papel central. Pedro usa uma lente de cinema, a Sirui Nightwalker 24mm T1.2, que tem diferenças em relação às lentes fotográficas comuns. Segundo ele, lentes cinematográficas costumam ter foco manual, o que dá mais controle sobre o que fica em destaque na cena. Elas também usam o T-stop para medir a luz que chega ao sensor, enquanto as lentes de fotografia usam o f-stop.
A diferença não é só técnica. Pedro destaca que as lentes de cinema geram uma imagem menos nítida e mais suave, característica que ele considera boa para os vídeos. “Ela não é tão nítida quanto a de fotografia, então ela é um pouco mais suave, mais soft”, afirma.
Pedro também gosta de lentes vintage. Uma das preferidas é a Helios 44, lente russa feita a partir de um projeto alemão, conhecida pelo efeito de desfoque em espiral nas bordas da imagem. Esse efeito é resultado do projeto da lente e virou um dos motivos para o modelo ser procurado por fotógrafos e videomakers.
Para Pedro, essas características são ferramentas para construir a imagem que busca. A intenção não é só fazer uma gravação de boa qualidade, mas encontrar uma estética que combine com a história contada. As histórias que ele quer registrar vão além da família. Para ele, a cidade está cheia delas. “Eu acredito que vários lugares e várias pessoas aqui da cidade têm histórias para contar”, afirma.
