28/07/2026
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Mãe de menina autista agredida diz que padrasto era ‘figura de pai

Mãe de menina autista agredida diz que padrasto era 'figura de pai

Uma gravação de áudio que circula na imprensa paraguaia, atribuída à mãe de uma menina brasileira de 6 anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), traz a versão da mulher sobre as agressões sofridas pela criança. No áudio divulgado nesta quinta-feira (23), a suposta mãe afirma que o padrasto, preso desde a semana passada, era visto pela menina como uma “figura de pai”.

Na mensagem, a mulher nega que tenha sido negligente e alega que o episódio de agressão foi isolado. Ela diz que não tenta justificar o companheiro e afirma que a família sempre foi unida. A autenticidade do áudio, no entanto, não foi confirmada de forma independente.

“A sociedade está contra mim como se eu fosse uma mãe ruim nesta situação. O que aconteceu não tem justificativa, e também não estou defendendo o agressor, mas quero que a verdade seja dita. Isso nunca aconteceu em casa. Nunca houve qualquer tipo de agressão. Somos uma família muito unida”, diz a mulher no áudio.

A suposta autora também acusa familiares paternos de divulgar informações falsas e de pressionar pessoas a prestar declarações. Ela afirma ter provas para sustentar sua versão dos fatos. Além disso, critica a exposição da imagem da criança e acusa os parentes paternos de tentar obter vantagens financeiras com o caso.

No áudio, a mulher ainda afirma que toda a família do companheiro acolhia a criança. Ela diz que pretende apresentar documentos para comprovar suas declarações e se dispõe a passar por exame toxicológico para desmentir alegações de vício. Ela também acusa a avó paterna de fazer ameaças e sustenta que o pai biológico esteve ausente na criação da filha.

O caso ganhou repercussão depois que a menina deu entrada no Hospital Regional de Pedro Juan Caballero com hematomas pelo corpo. A investigação aponta que a mãe havia saído para trabalhar e deixou a filha sob os cuidados do padrasto, de 23 anos, que foi preso e encaminhado para a Penitenciária Regional da cidade. O médico legista Marcos Prieto informou que os ferimentos podem ter sido provocados com as mãos ou um pedaço de madeira.

A Promotoria do Paraguai também investiga a conduta da mãe por suspeita de falha no dever de cuidado com a filha. Na terça-feira (21), o juiz paraguaio Edison Escobar concedeu a guarda provisória da menina a um casal de pastores indicado pela mãe. A decisão foi baseada em uma avaliação psicológica que apontou vínculo afetivo entre a criança e os responsáveis. O magistrado também proibiu a mãe de se aproximar da filha e autorizou visitas do pai biológico.

A decisão gerou reação da família paterna, da OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso do Sul) e de representantes políticos, que defendem que a guarda seja concedida ao pai ou à avó paterna. Ainda nesta quinta, a presidente da Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Ponta Porã, Vanessa dos Santos, divulgou uma denúncia da família paterna de que a mãe teria recebido R$ 8 mil da avó da criança sob a promessa de devolvê-la, mas não cumpriu o acordo.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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