Em artigo publicado nesta segunda-feira, o escritor Marcos Fabrício Lopes da Silva faz uma análise sobre a política brasileira e a gestão dos recursos públicos. O texto parte de uma citação da autora Anne Rice sobre a obra de Franz Kafka para discutir a falta de propostas originais entre candidatos e os efeitos da omissão administrativa.
O autor afirma que, sem o exercício da arte, a política molda cidadãos na escola do oportunismo. Segundo ele, salvo raras exceções, não se encontram candidatos com projetos próprios. O texto menciona que casos de humilhação pública não são incomuns e que o chamado “jogo político” compromete a distinção entre autoritarismo e democracia.
Na avaliação do articulista, o uso de recursos públicos deve seguir princípios como eficiência, impessoalidade e transparência. A não aplicação de verbas já destinadas à população representa uma falha grave de gestão. Quando isso ocorre, a sociedade perde, principalmente as comunidades que dependem de políticas públicas essenciais. A omissão administrativa compromete reformas, compra de livros e melhorias em escolas.
O texto também relaciona a violência e a criminalidade à ausência do Estado. Segundo o autor, elas se fortalecem quando recursos ficam paralisados e demandas urgentes são negligenciadas. A lentidão administrativa e a inclusão de verbas em restos a pagar sem execução efetiva afetam a qualidade dos serviços públicos e ampliam as vulnerabilidades sociais.
O artigo defende que a responsabilidade de quem ocupa função pública deve estar acima de disputas políticas. Para o autor, quando a escola, a cultura, o esporte e a assistência social falham, abre-se espaço para que crianças e jovens sejam aliciados pela criminalidade. Ele cita versos de Carlos Drummond de Andrade para ilustrar a realidade de cidadãos que não tiveram acesso a serviços básicos.
O autor rebate a justificativa de que “faltou dinheiro”, afirmando que o que escasseia é a disposição para agir. Ele critica o uso de motivações político-partidárias em detrimento dos princípios administrativos e menciona a exigência de comprovação de dolo específico em casos de lesão ao erário. Para ele, a corrupção destrói, mas a omissão e o comodismo também. O texto termina com versos da poetisa Ada Lima, de Areia Branca (RN), sobre “ancorar navios no vazio”.
Marcos Fabrício Lopes da Silva é pós-doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Literatura do Instituto de Letras da UnB (Universidade de Brasília).
