Em pouco mais de duas semanas, ao menos nove pessoas foram mortas em quatro cidades da região norte de Mato Grosso do Sul. Os crimes, registrados em Cassilândia, Paranaíba, Costa Rica e Chapadão do Sul, chamaram a atenção pela violência empregada e, em alguns casos, por indícios de ligação com a disputa entre o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho).
O caso mais recente aconteceu no sábado (1º), em Cassilândia. Márcio Aparecido da Silva Filho e a filha, de 3 anos, morreram depois que o carro em que estavam foi alvo de diversos disparos. A principal linha de investigação da Polícia Civil é de que o atentado tenha relação com a guerra entre facções. Dias antes, Márcio havia sobrevivido a outro ataque e teve o nome incluído em uma lista atribuída ao Comando Vermelho.
Na mesma cidade, em 27 de julho, Gustavo Loschiavo Araújo, de 29 anos, foi executado a tiros. Após o crime, perfis ligados ao CV divulgaram nas redes sociais a fotografia da vítima acompanhada da palavra “eliminado”, publicação semelhante à feita com outros nomes apontados como integrantes da facção rival.
A violência também se intensificou em Paranaíba. No dia 19 de julho, mãe e filho foram mortos a tiros dentro de casa. As vítimas foram identificadas como Patrícia Norberto da Silva, de 36 anos, e Kaique Flavino Audilino, de 20. Dez dias depois, outro homem foi executado enquanto dormia, atingido por cerca de 12 disparos. Apesar de não ter sido mencionada a possibilidade de envolvimento das facções, os crimes chamaram a atenção devido à violência.
Em Costa Rica, um homem foi assassinado após ser atingido por aproximadamente 12 tiros na última sexta-feira (1º). A motivação ainda é investigada. Já em Chapadão do Sul, um segurança foi morto no dia 25 de julho. Dias antes, outro homicídio também havia mobilizado as forças de segurança do município.
Além da sequência de assassinatos, investigações apontam que as organizações criminosas ampliaram a atuação na região. Levantamento do Campo Grande News identificou 13 casos envolvendo adolescentes em ocorrências relacionadas ao PCC e ao Comando Vermelho entre 2025 e 21 de julho deste ano. Foram cinco episódios noticiados em 2025 e outros oito somente em 2026.
Os registros reunidos pelo portal mostram adolescentes apontados como executores, informantes, responsáveis pelo transporte de armas, condutores de motocicletas e até alvos da disputa entre facções.
Nos últimos dias, listas com nomes de supostos integrantes do PCC passaram a circular em perfis ligados ao CV, acompanhadas de ameaças e fotografias de pessoas mortas. As listas apresentam fotografias, nomes, apelidos e cidades. As publicações citam principalmente moradores de Cassilândia, Inocência e Miranda, mas não há confirmação independente de que todas as pessoas apontadas tenham ligação com o PCC. Essa associação é feita pelos próprios administradores dos perfis.
Em retorno ao Campo Grande News, a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) afirmou que as postagens feitas por perfis ligados a organizações criminosas são monitoradas pelas forças policiais e não representam uma ameaça relevante à segurança pública do Estado.
