A Prefeitura de Campo Grande prepara mais um estudo para avaliar a viabilidade do TIC (Terminal Intermodal de Cargas), também conhecido como Porto Seco. A implantação do empreendimento é discutida há quase duas décadas. A administração municipal negocia uma parceria com a Infra S.A., empresa federal de estudos de infraestrutura e logística. O objetivo é definir se a área abrigará um porto seco ou uma ZPE (Zona de Processamento de Exportação).
A informação foi confirmada pela secretária municipal de Planejamento e Parcerias Estratégicas, Catiana Sabadin. Segundo ela, o levantamento deve ser concluído ainda neste ano para dar andamento ao processo de concessão do espaço. “Queremos ter o estudo ainda este ano para pleitear junto à Receita Federal a zona alfandegada. Precisamos disso para termos um objeto para a futura concessão do espaço”, disse.
A prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou que o município retomou a administração da estrutura após a antiga concessão não avançar. Ela disse que o local continua sendo tratado como uma oportunidade para fortalecer a logística da Capital, especialmente diante da Rota Bioceânica. “Hoje, o Porto Seco está sob a administração de Campo Grande e nós temos, sim, um estudo técnico avaliando quais são as melhores propostas e possibilidades para desenvolver, dentro do Porto Seco de Campo Grande, um hub logístico para a nossa cidade.”
Segundo a prefeita, a intenção é integrar diferentes modais de transporte, como aéreo, ferroviário e rodoviário. Ela quer transformar o Porto Seco em uma oportunidade de desenvolvimento para Campo Grande na área de logística.
O novo levantamento é mais um capítulo da longa tentativa de viabilizar o terminal. O projeto foi idealizado durante a gestão do então prefeito André Puccinelli (MDB), entre 1997 e 2004. As obras começaram em setembro de 2007, mas só foram concluídas em dezembro de 2020. O investimento foi de R$ 30 milhões, com diversas paralisações ao longo de 13 anos. A estrutura foi construída às margens do anel viário, entre as saídas para São Paulo, Sidrolândia e Corumbá.
Ao longo do período, diferentes estudos e comissões foram criados para definir o futuro do empreendimento. Em 2011, a prefeitura instituiu uma comissão para analisar projetos e preparar a licitação. Na conclusão da obra, a expectativa era de que o Porto Seco movimentasse até 2,2 milhões de toneladas de cargas por ano. O Consórcio Park X foi selecionado para operar a estrutura por 30 anos, mas a concessão não entrou em vigor.
Em 2021, o município contratou o Consórcio Pantanal para um estudo de viabilidade técnica e econômica. No ano seguinte, o resultado apontou viabilidade logística e econômica. Já em 2023, outro grupo de trabalho foi criado para analisar o estudo e definir a destinação do espaço. Agora, a prefeitura pretende usar um novo estudo para definir o modelo de exploração da área.
