28/07/2026
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Vacina chikungunya: produção nacional autorizada em meio a alta de casos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta segunda-feira (4), a produção no Brasil da vacina contra chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva. A liberação permite a fabricação nacional do imunizante, chamado Butantan-Chik, que já havia sido aprovado no ano passado como a primeira vacina contra a doença validada no mundo.

Com a produção local, a expectativa é reduzir custos e facilitar a distribuição pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o diretor do Butantan, Esper Kallás, a fabricação no país permite oferecer um produto mais acessível sem perda de qualidade. Ele afirmou que o teste real será a escala e a logística.

Estudo publicado na revista The Lancet mostrou que 98,9% dos participantes desenvolveram anticorpos neutralizantes após dose única, com proteção mantida por pelo menos seis meses. O perfil de segurança foi avaliado em testes com mais de 4 mil pessoas. Os efeitos colaterais mais comuns foram leves, como dor de cabeça, febre, fadiga e dores no corpo.

A vacina é indicada para pessoas entre 18 e 56 anos. Não pode ser aplicada em gestantes, imunossuprimidos ou imunodeficientes, por ser feita com vírus atenuado. Antes da autorização para produção nacional, o Ministério da Saúde iniciou uma estratégia piloto em municípios com alta incidência da doença. Cerca de 23 mil brasileiros receberam a dose.

Cenário em Mato Grosso do Sul

O avanço da vacina ocorre em meio a uma alta de casos no Estado. Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES) mostram que Mato Grosso do Sul já registrou 5.214 casos confirmados de chikungunya em 2026, além de 8.894 casos prováveis, conforme boletim da 16ª semana epidemiológica divulgado na quarta-feira (30).

O levantamento confirma 14 mortes nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim e Fátima do Sul. Outros dois óbitos seguem em investigação. Segundo a secretaria, a maioria das vítimas tinha comorbidades, fator que agrava a evolução da doença. Outro dado que chama atenção é o número de gestantes infectadas: 52 mulheres grávidas tiveram diagnóstico confirmado no Estado.

Transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, a chikungunya provoca febre alta, dores intensas nas articulações, manchas na pele e cansaço extremo. Em alguns casos, a dor articular pode durar meses.

Dengue

O mesmo boletim traz um cenário mais controlado para a dengue. Mato Grosso do Sul registra 4.779 casos prováveis e 655 confirmações, sem mortes até agora. Nos últimos 14 dias, cidades como Nioaque, Pedro Gomes, Corumbá, Amambai, Bonito e Três Lagoas apresentaram baixa incidência, indicando menor circulação do vírus.

Na vacinação, o Estado já aplicou 223.322 doses contra dengue, de um total de 241.030 enviadas pelo Ministério da Saúde. O esquema prevê duas doses, com intervalo de três meses, para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. A SES reforça que eliminar água parada ainda é a medida mais eficaz. Pneus, garrafas, vasos de plantas e caixas d’água destampadas seguem sendo os principais focos do mosquito.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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